Rogério H. Cogo de Oliveira
Joana Matushita
29/10/06
Campeão Brasileiro de 2006 e vice-campeão do Kyokushin Grand Prix em 2005, Rogério Oliveira agora se prepara para disputar o Campeonato Sul-americano no dia 4 de novembro.
O atleta de 26 anos começou a praticar Kyokushin em 1994, a convite de amigos da escola. “Eles pararam e eu continuei”, diz Rogério, orgulhoso, e acrescenta que sua carreira no karate está só começando.
Rogério também estuda Administração de Empresas em Campinas (SP), cidade onde nasceu. Durante a semana, viaja a São Paulo (são quase 100 km!), para treinar na academia Liberdade.
Isso sem falar, é claro, no tempo que ele reserva para desenhar e jogar vídeo game, seus passatempos preferidos!
Confira a entrevista que ele deu com exclusividade ao nosso site.
Em novembro você vai disputar seu terceiro campeonato em quatro meses. Gosta de competir?
Gosto muito, mas reconheço que, este ano, estou exagerando. Na verdade, coloquei como meta para 2006 participar de todos os campeonatos que pudesse, para me preparar para o Mundial do ano que vem.
Dá tempo de se recuperar em um intervalo de tempo tão curto entre um campeonato e outro?
Quando estou no “pico” de meu rendimento físico, me machuco menos e minha recuperação é mais rápida. Neste período, consigo voltar a treinar de dois a três dias depois do campeonato. Claro que existem algumas ressalvas... Hoje, por exemplo, ainda estou dolorido para treinar pancadas, mas consigo correr e fazer musculação.
Em 2005, você foi o oitavo colocado no Campeonato Brasileiro. Este ano, você foi o campeão. A que se deve esta evolução? Você esperava este resultado?
A cada ano que passa, procuro focar meu treino em uma capacidade específica: resistência, força, explosão, velocidade, etc. Na verdade, priorizo uma capacidade, mas continuo treinando as outras. Este é o terceiro ano em que sigo esta estratégia. Aos poucos, estou aprimorando cada uma das capacidades que compõem um atleta.
O resultado do Brasileiro era esperado, sim. Treinei muito e, apesar de ter competido com seis atletas que já participaram de Mundiais, sei que os principais lutadores do Brasil não estavam presentes.
O que achou do resultado do Pan-americano?
A equipe brasileira lutou muito bem e o nível de competitividade entre os brasileiros estava bem alto. No meu caso, em especial, apesar de não ter conseguido classificação, acredito ter lutado bem. E pude tirar algumas lições da luta que me eliminou.
Que lições?
Aprendi que nem sempre o atleta mais forte é o que ganha a luta. Meu adversário exercia com maestria a técnica de anular o que seu oponente tem de melhor. Fez isso comigo e com outros adversários e obteve êxito. Espero conseguir superar este tipo de luta da próxima vez.
Quais são suas expectativas para o Sul-americano de 04 de novembro?
Uma das metas é me classificar para o Mundial do ano que vem e, depois, lutar pelo título. Tenho certeza de que a equipe brasileira fará um bom trabalho neste campeonato e creio que todos vão se classificar para o Mundial.
Qual a sua rotina de treino?
Treino todos os dias da semana, inclusive aos sábados. Faço musculação de três a quatro vezes por semana, corro de duas a três vezes e pratico Kyokushin todos os dias. O volume e a intensidade dos treinos variam de acordo com o calendário das competições.
O que gosta de fazer nas horas vagas?
Estou com uma rotina bem apertada, então, quando tenho um tempinho livre, prefiro descansar. Mas também gosto muito de ler, desenhar e jogar vídeo game. Meus jogos favoritos, obviamente, são os de luta, em especial o K-1.
Qual a parte mais difícil em ser um atleta de Kyokushin?
A rotina intensa dos treinamentos. É preciso treinar muito para conseguir lutar no Kyokushin. Mas acho que essa é a essência. Não há gloria na vitória fácil, sem sacrifício. E saber que esse sacrifício perdurará por um longo tempo e que a escolha de continuar é somente sua traz à tona várias atitudes e sentimentos positivos que todo atleta deve ter, como a disciplina e a determinação.
Que benefícios o Kyokushin já trouxe para sua vida pessoal?
Acredito nos dizeres do sétimo item do juramento do Kyokushin. É uma arte marcial que nos traz uma filosofia de vida e, na vida, precisamos superar obstáculos a todo momento. O Kyokushin me ensinou a ter a disciplina, determinação e confiança para enfrentar a vida. |