Sensei Tsutomu
Morimoto
10/01/2007
Ademar Tsutomu Morimoto ou, simplesmente, Sensei Tsutomu, como é mais conhecido, é o atual Presidente da Federação Paulista de Karate Kyokushin. Paranaense de Ubiratã, a 558 km de Curitiba, ele chegou a São Paulo aos 4 anos de idade. Aos 10, matriculou-se na Academia Kyokushin Liberdade no lugar do irmão mais velho, que ficara apenas uma semana. “Coisa rara na época, pois o Shihan não transferia matrícula de um aluno para outro”.
Seria o destino? Quem sabe? O fato é que, trinta anos depois, Sensei Tsutomu firmou-se como um nome de destaque na Organização Kyokushin Oyama.
Veja abaixo a entrevista que ele concedeu ao nosso site.
Joana Matushita
Como presidente da Federação, quais são seus planos para o Kyokushin brasileiro em 2007?
No fim do ano passado, o presidente Lula sancionou a Lei de Incentivo ao Esporte, que prevê um abatimento de até 4% do imposto de renda às empresas que patrocinarem atletas ou equipes desportivas. Quero aproveitar esta chance e procurar patrocinadores.
É difícil encontrar empresas que apóiem as artes marciais?
Dentro da cultura brasileira, criou-se a idéia errada de que a arte marcial incentiva a violência. Isso é complicado. Normalmente, os patrocínios acontecem por indicação dos próprios praticantes.
E a longo prazo? O que ainda pretende realizar como presidente da Federação?
Quero massificar o Karate Kyokushin em São Paulo.
Como assim?
Todos conhecem os benefícios que o Kyokushin traz para o indivíduo. Gostaria de desenvolver um projeto chamado “Kyokushin para todos”.
Recrutaríamos crianças nas escolas, jovens e adultos nas empresas, e criaríamos, também, treinos voltados para a terceira idade.
Para os pequenos, penso num programa de extensão escolar. Para as empresas, um programa de “mente sã corpo são” e, finalmente, para a terceira idade, um programa de revitalização física e voluntariado.
O que falta para que as artes marciais ganhem mais espaço no cenário esportivo nacional?
É preciso mudar a visão das empresas e do povo brasileiro de que arte marcial é sinônimo de agressividade. Acredito, também, que o governo deve voltar mais os olhos para as modalidades não-Olímpicas, pois, atualmente, são as mais praticadas no Brasil.
Quando resolveu abrir sua própria academia?
Desde a época em que era uchideshi na Matriz, tinha a intenção de abrir minha própria academia. Ensinar Kyokushin era o que mais gostava de fazer. Até protetores já ia comprando!
Como o senhor faz para conciliar a administração da academia do Morumbi com a presidência da Federação? O que é mais fácil (ou mais difícil)?
Esse é realmente o meu grande desafio. Mas, graças a Deus, tenho apoio nas duas entidades. Na Federação, conto com o apoio do Shihan e a colaboração dos professores, principalmente da Sensei Susete [Tanaka, secretária-executiva da Federação]. Na academia, não poderia ser diferente. Tenho a ajuda de minha esposa Yayoi e, também, de meus uchideshis: Claive, Mayumi, Menzinho, Jihane e, ainda, dos alunos Eduardo Kamigauti, Joel do Nascimento, Claudionor Vasconcelos e Fabio Hase.
O mais difícil é administrar a Federação, pois tenho que achar, praticamente, um ponto que agrade a todos. Como o Shihan Isobe costuma me dizer: “o presidente é, na verdade, funcionário de todos, não o chefe”. Na minha academia, eu sou o chefe!
Qual o segredo para ser um bom técnico?
Essa pergunta é fácil. Basta ter bons atletas. Todos devem ter o mesmo objetivo.
O senhor é conhecido por sua postura rígida como técnico e professor. Não teme que tanta exigência afaste os alunos?
Na verdade, procuro saber o objetivo de cada um. Se o aluno quer ser um atleta, ele vai sofrer. Se quer apenas manter sua forma física, vai manter.
Por duas vezes o senhor foi vice-campeão brasileiro (1992 e 1993). Vê alguma diferença entre os campeonatos de que participou e as competições de agora?
Há muita diferença. Na minha época, os atletas não eram tão técnicos como agora. Eram mais “na vontade”. Hoje, um atleta de baixa estatura não consegue vencer o de alta.
O que dizer, então, de atletas como, por exemplo, Sensei Riyuji, que, já derrotou adversários maiores que ele, como o Odair Guerra?
Bem lembrado! Sempre vão existir atletas excepcionais como, hoje, podemos citar o Sensei Riyuji e o Sensei Wagner [Xavier]. O que quis dizer é que, na minha época, era mais comum os atletas de menor porte físico vencerem os de maior. Hoje, isso acontece raramente.
Qual o maior ensinamento que adquiriu ao longo dos anos dentro do Kyokushin?
O primeiro e maior ensinamento que busco alcançar é: “o principal adversário a ser combatido é você mesmo”.
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Sensei Tsutomu ao lado dos atletas do Mundial por peso (2005) |
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Examinadores do exame de faixa preta |
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Alunos da academia do Morumbi |
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A esposa e fiel escudeira, S. Yayoi |
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